Escrevo

Encontrei uma coisa eternamente transparente

e de sabor de zinco

como quem dissolve o músculo e bebe

não vermelho

mas eternamente transparente

como matéria inócua, meu peito sempre na defensiva

e que eu faço da cama meu túmulo

e do caderno a cova

deito minha língua no piso da boca

e espero sangrar 

palavras finas com gosto de cobre

não vermelho

mas eternamente transparente

que se fosse o plasma do meu espírito em fuga

sempre fugitivo

com desejo de me fazer vomita-lo

vomitar meu fantasma em matéria branca

para que enfim ele seja livre

e eu me torne brando, não carne

mas eternamente transparente.

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