Sertão, Pequi.
Sete irmãos acompanham com os olhos a inclinação do sol: ele está ereto, pontual, partindo o céu ao meio. Seus cílios banham os sete irmãos, torram seus couros, o cheiro de tostado enfeita o ar de poeira. Suor minando da testa, os escondidos do corpo quente e úmidos. Sarnas penetram o coração e dele gotejam sobre o estômago: a fome é visível, o horário pede uma refeição, as tripas se abraçam, tossem vazias. Sacrifício maior que esse não há; terão que dispensar a comida, terão de seguir admirando o ferrugem da enxada, terão de segurar a vontade de morder os braços que cheiram toucinho frito. Sábado, dia de descanso, mas com a necessidade abrasiva rosnando no pé do ouvido. São tempos difíceis, como é desde que nasci, como será até o dia em que morrerei descansado embaixo de raízes que eu mesmo cultivei. Sete novilhos cortam a paisagem do outro lado da cerca, guiados por um coronel de bens estampados, avançam em direção ao tanque, onde saciarão a sede, onde comerão capim fresco, suculento, verde. Sabe, eu amassaria um tundá desse capim agora, lamberia os dedos, deixaria os fiapinhos grudados no dente para matar a vontade ao longo do dia. Sacodem as cabeças, estavam todos mirando o rebanho e pensando a mesma coisa: a seiva virgem apaziguando a secura do esôfago.
Seis horas se passaram desde a hora do almoço. Seis minutos desde a última vez em que ouviram a trabuzana intestinal e deliraram sobre o que não comeram sob o terror do sol. Saliva amarga, tosse seca, sangue acumulado nos pés, ossada dorida.
Prontos, depois de tiradas enormes porções de ervas nativas duma parte do terreno, levam as ferramentas as costas e vão embora dali como fugindo de um cárcere. Passam as cercas de arame e jogam-se mortos de cansaço sobre o caminho que os leva até mais próximo de casa. Paro na metade, passo embaixo de outra, e vou até um umbuzal solitário sobre capoeiras quilométricas ainda não aparadas. Puxo uma saca guardada entre duas raízes altas, deformadas, do umbuzal, chamo meus irmãos que estão quase desaparecendo na estrada infinita e quando digo o nome bendito, todos vem feito loucos largando os bornais no chão pra fazer graça e adquirir velocidade. Pousam sobre mim como moscas ao redor da carne podre, abro a saca e ela está radiando a luz dourada, cada um apanha os seus, se sentam onde der, e compartilham o facão entre si. Pensa num trem bom, envolto por espinhos letais, mas protetores da delícia doce-salgada. Perto do perigo, a lâmina atravessa, a pérola se revela, o interior invade o interior, as paredes das tripas estão agora recheadas de ouro e sabor selvagem.
Observação: Todas as palavras após o ponto de continuação no primeiro parágrafo começam com S.
Todas as palavras após o ponto de continuação no segundo parágrafo começam com P.
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