Não se esqueça do coração
Que anda vadio entre ruas nunca antes vistas
e vazio de apegos
de superfície lisa e furta-cor
não se esqueça que dentro das tentativas, fora delas e percolando as camadas da existência, há o coração
Não contavel, não cabível na morfologia das palavras, como um verbo não dobrável, como advérbio sem alteração
prematuro desde o colidir do início, em embebição constante, tomando do plasma e dos raios do sol, se apodrecendo e transmutando as sujeiras
Não adianta copiar as raras coisas essenciais que causam calor, se não houver o órgão pulsante bombeando os sentimentos nas palavras, não há comoção
Cante qualquer coisa, converse por saber da língua e ter a obrigação humana de fazê-la, mas não intimida, não conforta, não rasga, não emenda
é o oco nos sentidos
não experimental, mas alheio de objetivos
reforço o sotaque, assanho o cabelo, digo nãos de graça em todo canto
me coloco como pessoa no mundo
sempre cantando para o coração, rezando com ele, salivando por ele
25 de março de 2026
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